quarta-feira, 16 de julho de 2014

30 anos ... de sonhos cor-de-rosa




Foi uma manhã que pareceu curta para a dimensão das estórias partilhadas pelos oradores que, a propósito dos 30 anos da ESB, se juntaram para os assinalar com os Alumni. Que privilégio poder ouvir da boca de alguns dos protagonistas como foi possível concretizar o projecto de estabelecer pela primeira vez em Portugal uma faculdade dedicada ao ensino e investigação da Biotecnologia.

E foi feliz o tema da conferência "Universidade, Ciência e Sociedade". 
Desde as dificuldades inerentes aos ambientes políticos do país, testemunhadas pelo Professor Mariano Gago, aos primórdios do aparecimento da Sociedade Portuguesa de Biotecnologia, pela palavra do Professor José Teixeira, repassámos décadas da Ciência e da Universidade, que em vários pontos se confundem com o próprio processo das transformações da sociedade Portuguesa.

A sessão teve a participação especial do Dr. António Marquez Filipe, da Symington, que brindou os presentes com a visão do lado de uma das empresas que apoiou e acompanhou desde início o projeto da ESB. Se o Vinho do Porto se serve bem em todas as ocasiões, nesta fez-nos sentir ainda mais em casa.

Pelo meio surgiram na conversa episódios pitorescos, como foi o do "cientista" que achava ter descoberto o electrão português...

Uma saudável inconfidência permitiu-nos também ficar a saber como era conhecido o Professor Carvalho Guerra, no meio científico portuense dos anos 80: "Católico, generoso... Nunca foi sectário"...  Uma definição de que o próprio certamente se orgulha.

Mas estava justamente cinzenta a manhã do último Encontro de antigos alunos no espaço que acolheu o nascimento da ESB...

O agradável convívio e o desfiar das memórias não esconderam o sabor amargo com que bem mais de uma centena de colegas se despediram daquele espaço, a que confiaram a sua vida académica. É público que aquela parte, a mais antiga do campus da Asprela, vai deixar de pertencer à Universidade Católica, e isso representa certamente o encerramento de um capítulo onde se contou a vida de muitos estudantes.

Contudo uma Universidade não é um conjunto de pedras, por mais apelativo e harmonioso que ele seja, como é visivelmente o caso. É bem mais do que isso, e as causas que motivaram o aparecimento da ESB mantém-se saudavelmente vivas. Bastaria a filosofia humanista, generosa e aberta de sempre, sem surpresa o reflexo claro da personalidade, já descrita, de um dos fundadores presentes na sala. Juntamente com o prestígio académico de muitos profissionais, é uma causa que continuará a motivar esta comunidade a saber reinventar-se quando necessário.

Quem se deslocou à Asprela naquela manhã de Sábado ficou com boas razões para acreditar que o futuro afinal pode continuar a ser... cor-de-rosa...


1 comentário:

  1. É uma pena uma parte destas instalações já não serem da ESB... a parte sentimental fala mais alto. Tenho muito boas memórias de lá!

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